RicardoC

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POR QUÊ?!

Via de regra, é sempre assim no fim:
A pergunta ficando sem resposta…
A frase e o amor terminam sem proposta,
Senão calar tudo entre si e mim.

Parece-me bem típico, por fim,
Repetir a pergunta a quem se gosta
E entender no silêncio alguma aposta
Ou que essas coisas sejam…

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ESQUIZOIDE

Tudo lhe parecia indiferente;
Mesmo os altos e baixos pela vida…
Insensibilidade desmedida
Diante do que se passa à sua frente.

Já totalmente ausente do presente,
De qualquer emergência se invalida,
Enquanto sua estrada s’encomprida
Sob os passos que seguem tão-somente.

Em seu olhar estúpido, a apatia
Nem mesmo de…

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Photo by Victor Freitas on Unsplash

A COR DOS SEUS OLHOS

Serão verdes que nem haja mais belos?…
Ou os olhos insondáveis da mulher
Que tem despreocupada o meu querer
A ponto de ignorar-me os apelos?

Ou vêm, iridescentes, me perder
Tanto pelos caminhos que em desvelos?
Ou choro por querer não mais querê-los,
Enquanto ela me olhando sem me ver…?

Mal a olho nos seus olhos pois espelhos
Meus olhos lhe parecem já parelhos
Ao verem antes a mim do que eu a ela.

Meus olhos, tão molhados que vermelhos,
Nos seus buscam rever sonhos já velhos
N’um verde que esperança se revela.

Betim — 01 07 2022

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Photo by Taylor Heery on Unsplash

MUSSELINA

Através das florestas de amplos vales,
Onde reinavam tigres colossais,
Cultivam entre lírios algodoais
De fibras tão finas que sem males.

Divina manufactura dos bengalis,
Tecida a bem vestir às Casas Reais
Com transparências leves e sensuais
D’alvíssimos véus, túnicas ou xales.

Algumas belas amam; outras, não.
Mas todas buscam…

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Photo by Sergey Pesterev on Unsplash

O CÉU N’AQUELE DIA

Era de tarde, o sol tinha se posto.
O céu se abriu após um aguaceiro
Em etéreo dourado que, ligeiro,
Iluminou as rugas do meu rosto.

Eu sorri admirado e bem disposto
Em vista do espetáculo que inteiro
S’espalhou no horizonte derradeiro
D’um dia bom deixado a contragosto…

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Photo by Markus Winkler on Unsplash

VERNÁCULO

Este jeito que falo é como sinto.
Na voz diminutiva dos carinhos,
Expresso sensações pelos caminhos
D’um povo tão moreno que retinto.

Palavras emendadas? Não desminto.
Tampouco ignoro o acento dos vizinhos
Exímios em fonéticos mansinhos,
Que imito entre o enfático e o sucinto.

Este jeito que escrevo é…

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Photo by Dima Moga on Unsplash

PR’UM DIA DE SOL

Guardo para um dia soalheiro
Este chapéu de palha; esta alegria.
Hoje, com ares grises de invernia,
A cidade coberta em nevoeiro.

Muito embora seja algo corriqueiro,
Eu atravesso em só melancolia
As ruas na esperança d’outro dia
No qual eu carecesse de sombreiro…

Estranho nunca…

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RicardoC

RicardoC

Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta eu deixo para o leitor ponderar.